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Eu não acredito que fizeram uma continuação disso!

por Marina Santa Helena em March 19th, 2008

 

Todos vocês já devem ter ouvido o ditado: errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Por isso, tem coisas que simplesmente não deveriam ter continuações.

 

 

 


Naquela época em que você ainda achava o máximo passar as tardes vendo as peripécias da Professora Helena e a tchurminha firmeza de Carrossel, tudo era lindo, tudo era infância, as tarde eram feitas de chocolate e algodão doce. Collor era o presidente e, para mostrar o quanto era bom moço, pegou a Professorinha no colo pela mão e subiu a rampa do palácio do planalto. Alguns anos depois, como o impeachment já anunciado e a galerinha cara-pintada ao berros na rua, eis que surge o Carrossel das Américas. Versão über caça-níqueis da novela.

Ninguém mais queria saber, ninguém mais tinha paciência, e claro, foi um fiasco.

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90210

Na mesma época, talvez até um pouco antes, sábado a tarde era sagrado. Nada de Caldeirão do Huck, minha gente, nãaoo…o que bombava nos finais de semana era Barrados no Baile. Todo mundo queria saber quem ia tirar a virgindade da Kelly ou qual a próxima vítima conquista do bonitão do Dylan.

Hoje, em pleno ano de 2008, eis que algum produtor gênio pensou “Ahhh, era tão legal, por que não fazer uma continuação?”.
E fez. O piloto já está pronto e me pergunto o que vai acontecer. Terão as patricinhas virado socialites empunhando solenemente seus dry martinis? Terá Steve se transformado em um trintão barrigudo que dá cavalo de pau em sua Harley por Beverlly Hills?

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O ponto que me levou a recapitular essas porcarias é que outro dia e me deparei com uma mulher adulta, com pés minúsculos, calçando esse troço:

hello kitty

Comecei a me indagar sobre o final dos tempos. Não que as Crocs pecisassem dessa versão Law Kin Chong para serem consideradas o sapato mais fei-do-mundo, mas Hello Kitty?

Sério Hello Kitty? Não fode, né?

Passa um pouco dos limites, mas fica ainda pior quando você descobre eles têm designers inspiradíssimos, capazes de fazer isso:

crocs

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Moral da história: Nunca assista Rocky VI.


 

 

 


Manual da dona de casa moderna

por Marina Santa Helena em January 15th, 2008

Consumida pelo ócio no sábado chuvoso, liguei a TV e comecei a me imbecilizar como se não houvesse amanhã. Zapeando por ali, entre um cochilo e outro, passei pelo Caldeirão do Huck, pelas vendas no polishop, tive visões de bundas aleatórias, ouvi algo sobre uma entrevista com sambistas dos Unidos de sei-lá-o-que, apareceram mais bundas e acabei caindo em um documentário sobre a vida animal.

África, América do Sul, Pólo Norte…Celso Freitas parecia não fazer distinção alguma entre os continentes e, na mesma frase, versava livremente sobre as características do elefante africano e do urso polar. Peguei no sono de verdade.

Acordei meio babada, com uma voz estridente anunciando que o Coisas de Mulher estava para começar. Ainda de olhos fechados, pude compreender que uma tal Nanda Bezerra (a da voz estridente) e sua trupe de amigas intelectuais, comandavam o programa e faziam questão de ressaltar a cada frase:

Estamos aqui diretamente de Londres. LONDRES! Eu disse Londres, entenderam?

L-O-N-D-R-E-S, minha gente. Aquela terra linda, do fish and chips, do povo orelhudo,a mãe dos hooligans. Não é para quem quer, é para quem pode.

O sono era grande, mas o lado tosquista do meu ser falou mais alto e logo acordei completamente. Precisava comprovar se aquilo era real ou era tudo fruto da minha imaginação.

mocréias

É Europa, é LONDRES, é de catiguria, é o Coisas de Mulher, porra! Olha só que phynas.

Era real. Era bizarro. Era uma espécie de Saia Justa evangélico. Pronto, agora eu precisava assistir até o fim para ver até onde ia a decadência humana. Fui pegar um café.

Como o próprio nome diz, o Coisas de Mulher é um programa que faz reflexões profundas sobre temas super-vanguarda do universo das Amélias feminino. A infame Nanda Bezerra solta um agudo e explica melhor:

Este sábado o tema de nossa reflexão é: O que não é apropriado para uma mulher?

E aí começou toda uma sessão de exorcismo sobre o que uma mulher pode ou não fazer:

Falar palavrão? Nuuunca.

Falar da vida pessoal? Jamais.

Se meter em conversa de homem? Imagina!

Demonstrar ser mais inteligente que seu parceiro? Melhor ficar calada.

Maquiagem forte? Never.

Beber? Nem comento.

Então, meu amor, se você mora no Brasil; manda para dentro aquela cerveja com espetinho do boteco da esquina; conversa sobre negócios, carros ou política melhor que qualquer homem e ainda sai bem loca para se acabar na pista de dança, é melhor se matar:

VOCÊ NÃO É DIGNA DE FAZER PARTE DO GÊNERO FEMININO!

Ou seja, para manter a feminilidade, é melhor você ficar quietinha ali no canto da sala, entre a estátua das ninfas de Kalypso e seu novo abajur Tiffany.

Faça cara de paisagem sempre. E, num arroubo de ousadia, aprenda umas receitas de bolo, a preparar um whisky pro marido, a cuidar do jardim.

Isso, sim, é que é ter inteligêntsia, fineza, classe, chiquêza…

housewife

 

Quem sabe um dia você não chega no nível da Nanda Bezerra e sua trupe de mocréias amigas mal comidas.

 

Sexo e a (dupli)cidade

por Marina Santa Helena em December 18th, 2007

sexandthecity

Oi, eu sou a Carrie, preto emagrece e eu estou na frente porque ganho mais que as outras, tá?

 

O enredo “quatro mulheres balzacas, solteiras e bem-sucedidas (profissionalmente) discutindo à exaustão suas vidas sexuais-amorosas-whatever” não é mais novidade para ninguém.
Assim, a série Sex and The City virou o feijão-com-arroz sentimental de mulheres dos 20 aos 40 anos.

O melhor de tudo é que TODAS as telespectadoras exigem seu lugar ao sol: “Ah…eu sou a Carrie porque sou um pouco de tudo…assim bem eclética, néam?” ou mesmo “Fulaninha, você com esse seu jeito todo romântico TEM que ser a Chartlotte!” Ohhhmm.
Acredite ou não, essas frases que beiram a miguxisse não são difíceis de ser ouvidas da boca de mulheres feitas. E, é bem possível que você mesmo, leitor(a) incauto(a), faça isso o tempo todo e que neste momento mesmo esteja revirando os olhinhos, na tentativa de disfarçar.

Particularmente não morro de amores de Sex and The City, aliás, não sou fã de qualquer coisa que pareça bradar a velha frase “sou feminina, não feminista”. Mas ultimamente, toda a expectativa gerada em torno do filme de Carrie Bradshaw (oh, sim, eu procurei no Google) e sua trupe de amigas infelizes, está dando no saco para valer. As roupas até que fazem a minha cabeça, mas humor farofa por humor farofa, eu fico assistindo um clipe do Twisted Sister; romantiquismo por romantiquismo eu fico com Jules & Jim.

Talvez eu até assista o filme, pois essas coisas das quais a gente ouve falar a torto e a direito, uma hora acabam caindo no nosso colo (vide Tropa de Elite). Só que, daí a discutir com minhas amigas se eu sou a Carrie ou a Miranda; ou se vou de Blahnik ou fico de pantufas na minha cobertura no Upper East Side, existem anos luz de diferença. No final das contas, é preciso bem mais do que Sarah Jessica Parker ao som de Fever para me convencer que tudo aquilo é muito normal.

Pérolas como o livro Vida Dupla (Girls of Riyadh), têm até o mesmo mote (quatro-amigas-que-blábláblá…), mas descrevem uma realidade específica e são beeem mais interessantes que a série. Mais realista e menos “engraçadinho”, o livro foi proibido em seu país de origem, a Arábia Saudita. Nele a jovem muçulmana, Rajaa Alsanea, descreve o cotidiano de quatro amigas sauditas, ricas e bonitas, que falam abertamente sobre sua camuflada vida sexual. Até aí, qualquer semelhança é mera coincidência, mas falar desse assunto em uma sociedade em que, se uma mulher olhar para o lado pode acabar apedrejada já é um diferencial que se sobrepõe a todo o disse-me-disse sobre sexo casual na cidade de Nova York.

 

Project Runway 4

por Marina Santa Helena em November 13th, 2007

pj4

Pode comemorar, caro fashionista. É amanha a volta do Project Runway, no canal BRAVO, para os EUA. Mas é claro que os torrents da vida existem para você baixar no dia seguinte e ser mais feliz, não é mesmo? O show já está na 4ª temporada e volta com a mesma estrutura: Heidi Klum apresentando (será que ela vai usar a roupa de gata-de-rua?), Michel Kors e Nina Garcia jurando os participantes de morte e tudo o mais.  No site oficial já tem um contador regressivo, que marca o tempo até a estréia (ai, já fico toda ansiosa). Tem também a lista dos novos participantes, com fotos, para você já ver com qual designer simpatiza mais.

E é cada um…

Não consegui subir as fotos deles aqui, mas posso adiantar que o Steven (um cara que gosta de Yves Saint Laurent na primeira coluna) me dá medo.